Pensar sobre um espaço de educação infantil pode envolver muito planejamento, diversas propostas e reflexões sobre a melhor forma de construí-los.

“Primeiro moldamos os nossos edifícios, depois eles nos moldam.” Esta famosa frase de Winston Churchill nos ajuda a pensar sobre o assunto de hoje: o planejamento dos espaços educacionais.

Vamos analisar quatro propostas diferentes: três escolas e um centro comunitário para crianças, que têm algumas coisas em comum. Eles foram criados usando espaços abertos com conexão visual entre interior e exterior, com formatos orgânicos, saídas “playscape” e contato próximo com a natureza.

Nessas duas imagens é muito interessante perceber a diferença entre ambientes fechados com iluminação artificial (foto da direita) e a permeabilidade visual com o uso de vidro e pé direito alto (foto da esquerda), mantendo a privacidade do espaço de educação infantil e, ao mesmo tempo, tendo essa vista para o céu. A relação entre espaço interno e externo fica mais agradável quando essa permeabilidade acontece. Com isso, podemos ter contato com o clima e a paisagem natural ou urbana do entorno da edificação e temos sensação de espaço maior.

Nesses dois casos, é interessante ressaltar que tanto formas orgânicas mais livres quanto geométricas (arcos e círculos), por manterem um desenho sem pontas, deixam o espaço mais aberto à apropriação do espaço e a imagem de divertimento e ludicidade. Além disso, quanto mais soltas essas formas, mais instigam a imaginação das crianças, onde qualquer lugar é visto como local de brincadeira:

Espaço de educação infantil

Centro Comunitário para crianças The Playscape | WAA

A liberdade de usar o espaço é muito positiva para que as crianças se soltem, criem relações entre si e com os professores e busquem desafios. Essa forma de raciocínio e liberdade reflete também dentro da sala de aula, trazendo maior participação e criando curiosidade para aprender e ensinar.

A presença da relação do espaço interno e externo está cada vez mais nítida na arquitetura atual das escolas, que estão cada vez mais preocupadas em criar uma relação das crianças com a natureza. É um tanto quanto difícil você criar essa relação em uma sala de aula convencional, com aberturas e janelas convencionais.

Uma das principais formas de trabalhar com essa integração é planejar pensando no uso dos cheios e vazios. Na escola Maple Bear de Marília (Fagner Mendes Gava Arquitetos), o arquiteto trabalha com formas geométricas como os vazios, fazendo essa integração. Sendo assim, as crianças conseguem fazer parte tanto do ambiente interno quanto do externo, tornando as aulas mais criativas e menos cansativas para elas.

O uso das cores neutras e mais claras nos projetos são evidentes, pois não pesa o ambiente e nem deixa cansativo para as crianças, utilizando apenas detalhes como objetos coloridos.

Outro exemplo que usa formas geométricas, não como vazios para a externa, mas sim como composição interna, é a escola Red House Villa-Lobos (Studio DLUX). A composição da escola segue em cores claras e apenas detalhes na cor da logo da rede de escola, que é o vermelho bem forte.

As formas geométricas acabam chamando a atenção de todos, inclusive das crianças. E essas formas estão presentes nos móveis da escola e no forro também.

Espaço de educação infantil na África do Sul

Já neste projeto, realizado na África do Sul (Escola verde – GASS Architecture Studio), o arquiteto utiliza poucas formas geométricas nas aberturas, mas não deixa de lado a integração da sala de aula com o lado externo. Houve um grande cuidado na escolha dos materiais para fazer o revestimento dessa escola.

Espaço de educação infantil na África do Sul (Escola verde - GASS Architecture Studio)

Escola Verde África do Sul | GASS Architecture Studios

A escolha de materiais no tom de madeira clara, deixa o ambiente mais leve para as crianças poderem estudar e se concentrar melhor durante as aulas; mas, ainda sim, com a preocupação de integrar o interno e o externo.

Em algumas salas de aula podemos ver uma brincadeira nas aberturas em formas de círculo, para dar uma dinâmica diferente na sala de aula, assim como eles brincaram com o revestimento de forro e os móveis da sala de aula.

Espaço de educação infantil na África do Sul (Escola verde - GASS Architecture Studio)

As salas de aulas são distribuídas como se fossem pomares e de forma orgânica, para tirar aquela sensação de “linear/certinho”. Eles criaram um ambiente lúdico, onde as crianças podem se envolver, explorar e aprender. No centro dessas uniões das salas de aula, há um espaço verde com algumas hortinhas, e no entorno das salas também tem algumas hortas, para o desenvolvimento e interação das crianças.

Espaço de educação infantil na África do Sul (Escola verde - GASS Architecture Studio)

Espaço de educação infantil na China

O outro exemplo de espaço, não é uma escola, mas é um centro comunitário para crianças, localizado na China (WAA arquitetura). O espaço era um galpão industrial da década de 70, e foi implantado um centro comunitário para crianças, pois o cliente (dono do espaço) é uma empresa do setor de saúde especializada em monitorar e auxiliar o desenvolvimento motor de crianças.

Espaço de educação infantil em centro comunitário para crianças, localizado na China (WAA arquitetura)

O espaço utiliza formas orgânicas em seu desenho, com diversas aberturas e muitos escorregadores ligando um espaço ao outro. A ideia principal é utilizar esses brinquedos e a diferença de relevo para trabalhar o equilíbrio das crianças. Neste espaço, não foi utilizado nenhum tipo de brinquedo eletrônico.

As diversas aberturas, permite a interação do espaço, dando essa sensação de integração.

A frase de Churchill faz sentido aqui porque a atividade lúdica prepara a criança para a vida, faz com que ela assimile a cultura e se integre socialmente, aprendendo a se adaptar e a conviver com seus semelhantes. [1] Planejar bem os espaços educacionais de forma lúdica permite uma visão de mundo mais real para as crianças. Assim, ela poderá se desenvolver e descobrir a realidade, transformando as coisas de acordo com a sua criatividade.

“O lúdico é essencial para uma escola que se proponha não somente ao sucesso pedagógico, mas também à formação do cidadão, porque a consequência imediata dessa ação educativa é a aprendizagem em todas as dimensões: social, cognitiva, relacional e pessoal.” (DALLABONA, 2004, p. 111)

O que achou dessas observações sobre cada espaço de educação infantil? Você pode conhecer melhor os projetos comentados aqui visitando os endereços nas referências abaixo. Até o próximo blog! =)

Referência de espaços de educação infantil utilizados:

Red House Villa-Lobos

Maple Bear Marília

Centro Comunitário

Escola Verde

Publicações sobre espaço de educação infantil utilizados na pesquisa:

DALLABONA, Sandra Regina; MENDES, Sueli Maria Schmitt. O lúdico na educação infantil: jogar, brincar, uma forma de educar. Revista de divulgação técnico-científica do ICPG. Vol. 1 n. 4 – jan.-mar./2004.

TEIXEIRA, Inês Filipa Florêncio. A cor como caracterizadora do espaço: a importância da cor nos jardins-de-infância. Lisboa: Universidades Lusíada, 2012.

20/02/2024 • 6 min

Espaço de educação infantil: o que podemos aprender com ele

Psicologia e Pedagogia

Espaço de educação infantil: o que podemos aprender com ele

Pensar sobre um espaço de educação infantil pode envolver muito planejamento, diversas propostas e reflexões sobre a melhor forma de construí-los.

“Primeiro moldamos os nossos edifícios, depois eles nos moldam.” Esta famosa frase de Winston Churchill nos ajuda a pensar sobre o assunto de hoje: o planejamento dos espaços educacionais.

Vamos analisar quatro propostas diferentes: três escolas e um centro comunitário para crianças, que têm algumas coisas em comum. Eles foram criados usando espaços abertos com conexão visual entre interior e exterior, com formatos orgânicos, saídas “playscape” e contato próximo com a natureza.

Nessas duas imagens é muito interessante perceber a diferença entre ambientes fechados com iluminação artificial (foto da direita) e a permeabilidade visual com o uso de vidro e pé direito alto (foto da esquerda), mantendo a privacidade do espaço de educação infantil e, ao mesmo tempo, tendo essa vista para o céu. A relação entre espaço interno e externo fica mais agradável quando essa permeabilidade acontece. Com isso, podemos ter contato com o clima e a paisagem natural ou urbana do entorno da edificação e temos sensação de espaço maior.

Nesses dois casos, é interessante ressaltar que tanto formas orgânicas mais livres quanto geométricas (arcos e círculos), por manterem um desenho sem pontas, deixam o espaço mais aberto à apropriação do espaço e a imagem de divertimento e ludicidade. Além disso, quanto mais soltas essas formas, mais instigam a imaginação das crianças, onde qualquer lugar é visto como local de brincadeira:

Espaço de educação infantil

Centro Comunitário para crianças The Playscape | WAA

A liberdade de usar o espaço é muito positiva para que as crianças se soltem, criem relações entre si e com os professores e busquem desafios. Essa forma de raciocínio e liberdade reflete também dentro da sala de aula, trazendo maior participação e criando curiosidade para aprender e ensinar.

A presença da relação do espaço interno e externo está cada vez mais nítida na arquitetura atual das escolas, que estão cada vez mais preocupadas em criar uma relação das crianças com a natureza. É um tanto quanto difícil você criar essa relação em uma sala de aula convencional, com aberturas e janelas convencionais.

Uma das principais formas de trabalhar com essa integração é planejar pensando no uso dos cheios e vazios. Na escola Maple Bear de Marília (Fagner Mendes Gava Arquitetos), o arquiteto trabalha com formas geométricas como os vazios, fazendo essa integração. Sendo assim, as crianças conseguem fazer parte tanto do ambiente interno quanto do externo, tornando as aulas mais criativas e menos cansativas para elas.

O uso das cores neutras e mais claras nos projetos são evidentes, pois não pesa o ambiente e nem deixa cansativo para as crianças, utilizando apenas detalhes como objetos coloridos.

Outro exemplo que usa formas geométricas, não como vazios para a externa, mas sim como composição interna, é a escola Red House Villa-Lobos (Studio DLUX). A composição da escola segue em cores claras e apenas detalhes na cor da logo da rede de escola, que é o vermelho bem forte.

As formas geométricas acabam chamando a atenção de todos, inclusive das crianças. E essas formas estão presentes nos móveis da escola e no forro também.

Espaço de educação infantil na África do Sul

Já neste projeto, realizado na África do Sul (Escola verde – GASS Architecture Studio), o arquiteto utiliza poucas formas geométricas nas aberturas, mas não deixa de lado a integração da sala de aula com o lado externo. Houve um grande cuidado na escolha dos materiais para fazer o revestimento dessa escola.

Espaço de educação infantil na África do Sul (Escola verde - GASS Architecture Studio)

Escola Verde África do Sul | GASS Architecture Studios

A escolha de materiais no tom de madeira clara, deixa o ambiente mais leve para as crianças poderem estudar e se concentrar melhor durante as aulas; mas, ainda sim, com a preocupação de integrar o interno e o externo.

Em algumas salas de aula podemos ver uma brincadeira nas aberturas em formas de círculo, para dar uma dinâmica diferente na sala de aula, assim como eles brincaram com o revestimento de forro e os móveis da sala de aula.

Espaço de educação infantil na África do Sul (Escola verde - GASS Architecture Studio)

As salas de aulas são distribuídas como se fossem pomares e de forma orgânica, para tirar aquela sensação de “linear/certinho”. Eles criaram um ambiente lúdico, onde as crianças podem se envolver, explorar e aprender. No centro dessas uniões das salas de aula, há um espaço verde com algumas hortinhas, e no entorno das salas também tem algumas hortas, para o desenvolvimento e interação das crianças.

Espaço de educação infantil na África do Sul (Escola verde - GASS Architecture Studio)

Espaço de educação infantil na China

O outro exemplo de espaço, não é uma escola, mas é um centro comunitário para crianças, localizado na China (WAA arquitetura). O espaço era um galpão industrial da década de 70, e foi implantado um centro comunitário para crianças, pois o cliente (dono do espaço) é uma empresa do setor de saúde especializada em monitorar e auxiliar o desenvolvimento motor de crianças.

Espaço de educação infantil em centro comunitário para crianças, localizado na China (WAA arquitetura)

O espaço utiliza formas orgânicas em seu desenho, com diversas aberturas e muitos escorregadores ligando um espaço ao outro. A ideia principal é utilizar esses brinquedos e a diferença de relevo para trabalhar o equilíbrio das crianças. Neste espaço, não foi utilizado nenhum tipo de brinquedo eletrônico.

As diversas aberturas, permite a interação do espaço, dando essa sensação de integração.

A frase de Churchill faz sentido aqui porque a atividade lúdica prepara a criança para a vida, faz com que ela assimile a cultura e se integre socialmente, aprendendo a se adaptar e a conviver com seus semelhantes. [1] Planejar bem os espaços educacionais de forma lúdica permite uma visão de mundo mais real para as crianças. Assim, ela poderá se desenvolver e descobrir a realidade, transformando as coisas de acordo com a sua criatividade.

“O lúdico é essencial para uma escola que se proponha não somente ao sucesso pedagógico, mas também à formação do cidadão, porque a consequência imediata dessa ação educativa é a aprendizagem em todas as dimensões: social, cognitiva, relacional e pessoal.” (DALLABONA, 2004, p. 111)

O que achou dessas observações sobre cada espaço de educação infantil? Você pode conhecer melhor os projetos comentados aqui visitando os endereços nas referências abaixo. Até o próximo blog! =)

Referência de espaços de educação infantil utilizados:

Red House Villa-Lobos

Maple Bear Marília

Centro Comunitário

Escola Verde

Publicações sobre espaço de educação infantil utilizados na pesquisa:

DALLABONA, Sandra Regina; MENDES, Sueli Maria Schmitt. O lúdico na educação infantil: jogar, brincar, uma forma de educar. Revista de divulgação técnico-científica do ICPG. Vol. 1 n. 4 – jan.-mar./2004.

TEIXEIRA, Inês Filipa Florêncio. A cor como caracterizadora do espaço: a importância da cor nos jardins-de-infância. Lisboa: Universidades Lusíada, 2012.

Para conhecer um pouco mais sobre os benefícios de um playground infantil, acesse nosso blog e confira outros conteúdos!

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